Dias felizes são raros
- ai
minha cabeça. – falei com preguiça.
Eu olhei pro relógio e eram 11 horas e
eu ainda estava com sono. Que horas eu fui dormir ontem? E o Kyle? E a
Clarinha? Droga! Não consigo me lembrar de nada.
- oi
princesa! Trouxe seu café. – cantarolou o Kyle entrando pela porta.
- o que
aconteceu ontem? Não consigo me lembrar de nada. – falei colocando a mão na
cabeça pra parar de doer.
- ainda
bem. Você estava péssima ontem e a Clarinha, nem se fala. Mas eu não quero te
contar nada de ontem, porque nos vamos fazer um piquenique! – exclamou feliz.
- minha
cabeça dói! Não quero ir pra luz, quero ficar aqui deitada com a cortina
fechada. – falei me atirando na cama.
- ah
nem vem. Você vai se levantar daí, ir pra praia, depois vamos
ir fazer um piquenique. – praia? Mais que praia? Tem praia nesse fim de mundo? Novidade.
- ta
bom seu chato. Eu vou. – falei me levantando na cama. – vou comer tudo!
Eu peguei a bandeja de café que ele tinha
trago e comecei a comer.
- quer
Ky? – perguntei percebendo que ele olhava.
- não
obrigado. Já tomei café ha 4 horas atrás. Vou ir buscar as coisas pro
piquenique e se apronte para quando eu voltar. – ele me deu um beijo na testa e
saiu.
- oi
Carol! – berrou a Clarinha entrando pela janela.
- não
grita, por favor, minha cabeça. Vem cá me dar um beijo meu bebe. – falei
fazendo um biquinho.
- esta
melhor? – perguntou se sentando na cama e ignorando o meu “meu bebe”.
- um
pouco, só a cabeça que dói. Conte-me o que houve ontem. Não consigo me lembrar
de nada. – pedi e ela não disse se quer uma palavra.
-
deixa pra lá então. Se não se importar tenho um encontro hoje e preciso trocar
de roupa e escolher um biquíni. – falei ironicamente.
Eu peguei meu biquíni preto e branco, uma
saída de praia o protetor solar e enfiei tudo na bolsa e troquei de roupa.
- aonde
vocês vão mãe? – perguntou a Clara sentada na janela.
- NOS
vamos fazer um piquenique e ir a praia. Espera ai você me chamou de mãe? Ai, que fofo. – falei
apertando suas bochechas.
- é! E
já me arrependo. E pra que esse... Essa roupa ai que você esta levando? –
perguntou descendo da janela.
- nos
também vamos à praia e... Uma mensagem do Ky. Acho melhor você tentar arrumar
um disfarce de uma criança. – falei colocando a bolsa no ombro.
Ela começou a brilhar e quando parou, parecia
uma criança de uns quatro anos.
- esta
bom assim? – perguntou girando seu vestidinho branco.
- esta
ótima! Vamos? – perguntei e ela veio desastrada ate o corredor do hotel.
-
hum... Acho que terá que me carregar. – falou ela estendendo os braços.
Eu desci pelo elevador e todos a minha volta
olhavam com a cara de “essa garota já é mãe?” e eu comecei a rir e provoquei-a.
-
Clarinha olha, esses são os vizinhos da mamãe. Diga oi para eles.
Ela me olhou com uma cara furiosa e eu comecei
a rir e só parei quando chegamos e o Kyle estava parado perto do carro.
- eu
não sabia que você tinha uma filha Carol. – falou em voz alta.
Eu
mostrei língua pra ele e coloquei-a no banco de trás e sentei no da gente.
- aonde
nos vamos primeiro? – perguntei apertando o meu cinto.
-
praia, piquenique ao por do sol, passeio e casa. – falou já dirigindo o carro.
- ok. –
concordei.
Fomos em silencio enquanto eu digitava textos
no celular e acabava apagando e escrevendo de novo.
-
chegamos Carolsinha. – falou pegando a Clara no colo.
Eu olhei em volta e vi que realmente tinha uma
praia lá. Tinha uns quiosques lá e guarda-sol pra todo lado.
- acho
melhor você ir colocar um biquíni. – falou fechando o carro.
- tem razão.
– concordei indo pra um acho que devia ser um banheiro sei lá.
Eu fiquei lá dentro com vergonha e coloquei a saída
de praia e o Kyle já estava sem camisa no mar segurando a Clara como se fosse
sua filha.
- você devia
passar o protetor Ky! – gritei pegando-o na bolsa.
- e você
não devia nadar de saída de praia. – gritou girando ela na água.
Eu fechei a cara e coloquei a saída de praia encima
da mesa e corri ate a água e peguei a Clarinha.
- alguém
tem que passar protetor. – reclamei.
Eu a sentei na areia e passei protetor nas
costas dela e vi que tinha marcas, como se ela tivesse encolhido as asas e
colocado dentro dela.
- esta
doendo lux? – perguntei passando a mão de leve.
- um
pouco. Eu me sentiria mais a vontade se eu estivesse com roupa de humano também.
– falou olhando todas as crianças em volta com biquínis, maiôs e sungas.
Eu peguei dinheiro na minha bolsa e coloquei a
saída de praia e fui ate uma loja que tinha lá do outro lado da rua.
- vocês
tem maiô, tamanho 4 anos roxo claro? – perguntei.
- que
tal esse senhora? – perguntou o moço. Senhora? Ele acha que eu sou velha.
- perfeito!
– falei entregando o dinheiro para ele.
- olha
tem um banheiro ali do lado e você pode vesti-la ali mesmo. Sabe é bem mais
limpo do que os da praia. – cochichou.
-
claro. – eu a levei e ela tomou o maiô de mim e virou se e trocou sozinha.
- ficou
uma gracinha! – falou o moço quando eu sai com ela da loja.
O Kyle estava nadando todo vermelho porque não
tinha passado protetor e ela saiu da água e pegou o protetor.
- já é
meio tarde. – falei ironicamente.
- eu
sei minhas costas estão ardendo. Ah que lindinha a Clarinha. – falou apertando
suas bochechas.
- se você
fizer isso de novo, vou afogar você. – sussurrou a Clarinha estressada.
- ok
agora vão aproveitar a praia e parem de brigar. – falei parecendo minha mãe.
Eles se olharam e a Clarinha desceu do meu
colo e correu pras ondas.
- e a mãe
dela não vai? – perguntou o Kyle me irritando.
- já estou
indo seu chato. A julgar pela idade ela esta com o tamanho de uma criança. – eu
joguei areia nele e sai correndo.
Eu peguei a lux e a gente ficou brincando
feito um bando de crianças na água.
01 hora depois.
A Clara desceu do meu colo e sentou na
cadeira.
- eu não
quero nadar mais. – resmungou.
- ela
tem razão Carol, temos que ir agora. – falou o Ky me carregando.
- eu
tenho pernas. – xinguei.
- shh! –
ele encostou a cabeça no meu peito.
Eu desci e coloquei a saída de praia e peguei
a Clara que vestiu o vestido branco e se despediu da praia.
- olha Carol, as ondas estão sumindo. – falou apontando.
- é mesmo. Vamos? – perguntei penteando meu
cabelo que estava um “lixo”.
Ela veio andando e olhando pra trás e eu vesti
meu vestido dentro do carro quando biquíni secou.
- e
agora? – perguntei apertando o cinto da lux.
- piquenique
ao por do sol. – lembrou-me.
A gente andou de carro por um tempão e eu
acabei cochilando ate quando o Kyle me acordou.
- chegamos?
– perguntei.
- sim. Olhe
em volta. – pediu e eu levantei a cabeça.
- que
lindo Kyle! – exclamei boquiaberta.
-
queria que fosse especial. Que bom que você gostou. – falou tímido.
Eu olhei pro banco de trás e a Lux estava
dormindo igual um anjinho (ela é um!).
Kyle estacionou o carro e pegou a lux no colo
como se fosse sua filha.
- obrigado
Ky. – falei com os olhos cheios de lagrimas.
- que
isso Carol, não era pra você chorar. – falou fingindo de zangado.
- eu
acho que se você não tivesse voltado... Eu não ia conseguir superar tudo isso.
- de
nada. Agora vamos? – perguntou me dando um beijo na testa.
Eu fiz que sim e ele me levou ate mais ou menos
o meio do parque e me mostrou:
- está
bom? Eu não sou muito bom pra piqueniques então improvisei. – falou colocando a
lux encima da toalha.
- está ótimo,
vamos começar? Eu estou faminta. – brinquei e ele riu.
Sentamos na toalha e eu acabei comendo mais do
que ele. A lux dormiu muito e não parecia ir acordar tão cedo. No final a gente
ficou andando e olhando o por do sol que estava divino.
- está
tudo quase perfeito. – falou Kyle com uma expressão de insegurança.
-
porque quase? – perguntei olhando pra lux.
- Carol
eu sei que vou estragar tudo agora, mas eu tenho que te contar. – falou e eu percebi
que estávamos perto do estacionamento.
Eu respirei fundo e ele colocou a lux dentro
do carro e ficou a 5 cm da minha boca.
- escuta,
eu não paro de penar em você desde o dia em que fui embora ha 4 anos atrás. Eu sei
que você não deve sentir mais nada que não seja amizade por mim, mas não dava
mais pra ficar calado. Estava tudo preso aqui dentro... – falou apontando pro
seu coração.
- e
mesmo que você vá negar eu te amo. E nunca consegui amar ninguém mais como você.
– completou.
Eu fiquei calada e não estava surpresa. Ele não
estava transformando tudo em perfeição por nada. Ele se aproximou mais ainda.
-
posso? – perguntou com as mãos em meu rosto e a testa na minha.
Eu olhei em seus olhos e minha respiração já estava
mais rápida e eu fiz que sim e ele me beijou.
Era um beijo intenso e parecia não terminar. Era
saudade. Eu não queria sair daquele momento nunca mais. Ele parou para
recuperar a respiração e me abraçou.
- eu não
sei o que eu sinto Ky. – falei chorando novamente.
- isso só
você pode descobrir. – falou me soltando. – vamos?
- ta. –
falei indo pro carro.
A viajem foi estranha e silenciosa. A lux acordou
e foi embora pela janela e eu estava em casa novamente em cima da cama
chorando. Mas por outro lado estava feliz. Eu toquei meus lábios e pude sentir de
novo a sensação do beijo e eu limpei as lagrimas e dormi feliz.
nossa! e agora? Kyle ou Christian? como a Carol vai reagir com a volta do seu antigo amor? nao deixem de ler.
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Q lindo o episódio. Eu simplesmente amei !!! Ficou muito legal. Depois da tristeza e das dificuldades. Sempre vem a felicidade e a alegria. To loca pra ler o próximo capítulo. Bjs até mais.
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